Crônicas de Amor e Ódio

setembro 10, 2018


Depois de uma pausa um tanto significativa entre um livro e outro, finalmente consegui concluir a trilogia. Alguns fatores relacionados a edição/diagramação colaboraram para que a leitura do primeiro livro fosse um pouco incômoda e, consequentemente, lenta. A Darkside fez um trabalho, sem dúvida, primoroso e esses livros são uns dos mais belos da minha estante. Contudo, nunca escondi que não possuo apreço por diálogos pontuados por aspas que, embora não seja comum, já vi - e li - alguns poucos livros com esse tipo de pontuação típica dos EUA e Reino Unido. É um problema? Na verdade, não. Trata-se apenas de um gosto pessoal e sempre me pergunto quais fatores são levados em consideração na hora de escolher a forma de pontuar, visto que já estamos mais do que acostumados com nosso querido travessão. Detalhes à parte, sigamos para as minhas considerações.


The Kiss of Deception
Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

É com essa premissa que Mary E. Person nos leva numa jornada entre reinos, cheia de conspirações políticas, as mais vis traições e um mistério que desafia o leitor a desvendá-lo. Não posso negar que foi esse 'mistério' que despertou minha curiosidade, em primeiro lugar, visto que sou atraída por capas maravilhosas. Assumo! Ver inúmeros videos de Unboxing só me deixaram mais sedenta pelo livro e logo fui atrás de garantir minha edição. Li comentários empolgadíssimos e, mesmo sabendo de um suposto triângulo amoroso e os costumeiros clichês que os autores adoram, não desanimei e comecei a leitura tão logo o senhor carteiro entregou o pacote.

O livro se incia de forma agradável e me cativou logo nas primeiras páginas. Lia já se mostrava uma protagonista com ideais firmes e fortes, uma personalidade marcante e sabia que, lá na frente, encontraria tomadas de decisões dignas de uma protagonista valente e que não se acovardaria mediante as provações. Ou ao menos torcia por isso. Depois da fuga do casamento com sua criada e melhor amiga Pauline, que está grávida, diga-se de passagem, Lia deixa o luxo do reino e passa a viver numa espécie de estalagem, tendo que trabalhar como garçonete e assumindo dignamente sua função. O que me agradou bastante, pois ninguém merece uma mocinha chorona e fracote reclamando de tudo e de todos, bem do tipo mimadinha. Obrigada, Mary!

Mesmo sabendo que as jovens seriam encontradas, obviamente, a forma com que a autora introduz o príncipe e o assassino no caminho delas é o ponto alto do livro. É aí que permeia o mistério, quando nosso sentido aranha é desperto e entramos no modo CSI. Cada batida de coração é importante, cada olhar, cada gesto, cada palavra dita pode ser um indício de quem é quem e o que é verdade ou mentira. Os capítulos voam e chega a compensar os vários nadas que acontecem em algumas passagens, quando a narrativa não evolui e o ritmo desacelera. Saber quem é Kaden e quem é Rafe é mais importante que qualquer coisa porque, sim, você já está completamente envolvido. E, se for como eu, não larga o osso até desvendar. E não foi tão difícil, se querem saber. Fiquei feliz por fulano ser quem eu queria que fosse. HAHA!

As demais personagens femininas foram ótimos acréscimos, cada uma traz uma carga emocional e informativa para dentro da história, entrelaçando os fatos e enriquecendo a trama. Por ser dona de um POV, Pauline torna nosso campo de visão mais amplo, nos permitindo acompanhar os acontecimentos na ausência de Lia, bem como as história paralelas da própria Pauline e de Gwyneth, que envolve personagens que serão importantíssimos nos livros seguintes. Ver pelos olhos de Kaden e Rafe também nos dá certas vantagens, mas ao mesmo tempo nos faz amá-los e odiá-los justamente pela informações que temos e por sabermos o que farão a seguir.

De modo geral, The Kiss of Deception foi, para mim, uma introdução.



The Heart of Betrayal
Todos mentiram. Rafe, Kaden e Lia esconderam segredos, mas a bondade ainda habita o coração até dos personagens mais sombrios. E os Vendans, que Lia sempre pensou serem selvagens, desconstroem os preconceitos da princesa, que agora cria uma aliança inesperada com eles. Lutando com sua alta educação, seu dom e sua percepção sobre si mesma, Lia precisa fazer escolhas poderosas que vão afetar profundamente sua família... e seu próprio destino. Enquanto isso, as linhas de amor e ódio vão se definindo.

Adiantando um pouco as coisas, quero dizer que esse foi o melhor livros dos três. Aqui a autora se aprofundou na personalidade dos nossos protagonistas, expôs o lado mais sombrio e selvagem deles, deixo-os mais vulneráveis, mais humanos, mais críveis. Esse livro foi um hino. Somos levados para além das terras de Lia, cruzamos a imensidão do deserto e chegamos num reino governado por um homem ganancioso e inescrupuloso, um verdadeiro sádico e imoral a quem chamam de Komizar.  Um nojo!

Mary não nos poupa de nada nesse livro, os personagens são despidos de seus segredos e, mesmo assim, novas mentiras e barreiras são erguidas. Confianças são quebradas, alianças feitas - ou refeitas -, há perdas, há dor, há ódio e amor. Um amor que se fortalece em meio ao terror, ao caos e a morte. Tudo o que faltou no primeiro livro a autora corrigiu aqui, o enredo é uma crescente que flui de forma constante, mal dá parar parar e respirar. Lia me surpreende com sua ousadia e perseverança, hora ou outra surge com uma bobagem, mas nada excepcional. Quem nunca fez merda que atire a primeira pedra. Rá!

Kaden e Rafe se tornam divisores de águas. Não tenho como torcer para ambos e meu team é bem claro. Odeio o fato de que um deles é o traidor e futuramente vai se tornar um mocinho arrependido, desviando um pouco da personalidade que a autora propôs no início da trilogia. Entendo que o personagem deseje evoluir e etc., mas não considerei SUA razão forte o suficiente para justificar uma mudança brusca. Não me convenceu, sabe? Mas vida que segue. Gostaria muito de falar individualmente de cada um, mas não é possível sem que eu dê qualquer pista sobre eles.

Sem mais detalhes, The Heart of Betrayal foi sensacional e com um o final de tirar o fôlego.



The Beauty of Darkness
Um grande mal pretende destruir o reino de Morrighan, e somente Lia pode impedi-lo. Com a guerra no horizonte, ela não tem escolha a não ser assumir seu papel de Primeira Filha, como uma verdadeira guerreira... e líder. Enquanto luta para chegar a Morrighan a tempo de salvar seu povo, ela precisa cuidar do seu coração e seus sentimentos conflituosos. Nesta conclusão de tirar o fôlego, os traidores devem ser aniquilados, sacrifícios precisam ser feitos e conflitos que pareciam insolúveis terão que ser superados enquanto o futuro de todos os reinos está por um fio e nas mãos dessa determinada e inigualável mulher.

O desfecho da trilogia foi o que mais me fez debater internamente sobre diversas situações. Vi muitos comentários tecendo o príncipe como um homem que, no fim das contas, é um opressor e me senti afrontada por ter uma visão - e opinião - totalmente contrária. Sim, Lia aqui passa de donzela indefesa a uma grande guerreira, traçando estratagemas, erguendo a espada e tudo o mais. No entanto, é também nesse livro que a personagem me decepciona inúmeras vezes. Alguém que sempre fora racional, que hora tem ideias brilhantes, de repente tem crises absurdas de birra e comportamentos que soam totalmente discrepantes com a Lia dos livros anteriores.

Dito isso, é aqui que defendo as atitudes do príncipe, que muitas das vezes é taxado de machista e controlador, quando na verdade é o mais sensato. A autora não decide se a Lia vai ser rebelde ou audaciosa e, nessa linha tênue entre razão e emoção, ela errou a mão. E feio! Vemos sim, o fulano tomar decisões que deixam a mocinha irradiando raiva pelos poros, mas sempre porque Lia se acha a nova Mulher Maravilha e que não precisa de salvação. Humpf!

Queridos, ninguém quer controlar essa força da natureza, apenas mostrar que, embora ela tenha motivação suficiente para lutar - e até mesmo se sair muito bem sucedida de alguns confrontos -, ela simplesmente não é inatingível. Atravessar uma vastidão desértica com a cabeça a prêmio, sendo caçada pelos quatro cantos do continente e armada com nada mais que uma espada, uma adaga e um assassino que sim, é bom no que faz, mas também não é indestrutível, é o cúmulo da burrice, não acham? O cara só quer que ela não se mate, pelo amor dos deuses!

Para não ser totalmente injusta, é reconfortante depois de toda essa agitação negativa de Lia, vê-la admitir sua precipitação em diversos momentos e deixar o bendito se explicar. Thanks, God! É essa maturidade que ela sempre teve e que gostaria de ter visto sempre, sabem? Os ataques de pelanca da guria quase fez cair por terra toda a admiração que Mary me fez sentir por ela. Gosto tanto de Lia que cheguei até a compará-la com minha rainha da fantasia, Celaena e, gente, tem que ser muito fodona para merecer esse reconhecimento. HAHA!  

Enfim chegou a guerra e, mesmo tendo uma batalha significativa, esperava demais por algo realmente impactante. AQUELA morte foi muito simplista, sem emoção, rápida demais. Cadê o drama, Mary? Eu queria sangue nos olhos, frases de efeito jogadas na cara, lavação de roupa suja e cabeças rolando... MARY!!!!! Não foi suficiente, mulher. Nem as cenas de amor que me deixaram com os pelos arrepiados - e praticamente gritei FINALMENTE - foram capazes de encobrir essa falta de algo mais nos momentos finais. Foi bom, não foi sensacional. Mas ok.

The Beauty of Darkness terminou diferente do que eu imaginava e digo que isso foi algo positivo. Não foi previsível, mas esperado. Sobre o Dom, imaginei explicações bem mais profundas e ansiava por mais "poder". Mary poderia ter trabalhado muito mais a fundo essa questão. Os trechos das Epígrafes e as passagens faziam tudo parecer de uma grandiosidade incrível e a resolução foi, no mínimo, satisfatória. Só.

Foto: http://kueckibooks.blogspot.com/

No fim das contas, apesar de todo embaraço causado pelos lapsos da história/personagens ou pelo meu julgamento pessoal, baseado no que penso e acredito a respeito de temas e ações, foi uma boa leitura. O mais importante é que cumpriu seu papel como entretenimento e a autora ganhou uma fã. Cada livro foi lido num momento diferente e, mesmo assim, me mantive conectada à história. Todo leitor sabe que há certos livros que, para lermos a continuação, precisamos dar aquela checada no anterior porque muitos detalhes se perderam pelo caminho. Não foi o caso desses. Tanto o segundo quanto o terceiro quando iniciei, ainda mantinha tudo fresco na memória. Amém   Pode vir Dance of Thieves.

Desejo a quem for embarcar nessa aventura, uma ótima leitura.
Abraços.

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